segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Um período desprovido de fundamentos...

No período contemporâneo, foi dito que o homem se encontra dis-posto
como força de trabalho diante da postura imperativa da essência da técnica
moderna ou Estrutura de Arrazoamento. O errôneo sentimento de posse indica que,
inadvertidamente, o homem se acha condutor da técnica e dominador da sua
maneira de conhecer o mundo, todavia, reside aí um engano fundamental. A técnica
hoje já coloca a espécie humana no patamar de produto, pois a partir de si mesma
extrai do homem seu tempo, seu esforço e seu pensar.
O poeta Hölderlin atenta para o crescimento de um perigo que em sua época
se mostrava embrionário. Porém, é determinante a todo pensador e poeta originário
a projeção ao futuro, o discernimento de falar para o desconhecido e a abertura
fundamental para desvelar o mundo e alertar seus habitantes. Assim se define por
excelência a tarefa da filosofia de Martin Heidegger, ou seja, é mediante um
diagnóstico da própria história do ser e da metafísica que se dá o advento da
modernidade e assim se transforma um paradigma existencial. Heidegger resgata do
passado pistas para o redescobrimento da parcela mais determinante ao ser do
homem e que parece distante devido à falta de cuidado dele mesmo com o mundo e
com a própria essência das coisas. O pensamento averigua na poesia um novo
caminho, divergente daquele modelo engessado pelo emprego da Estrutura de
Arrazoamento. Desta forma, um poeta e sua voz, são capazes de promover um
retrato fiel da ameaça constante e, consequentemente, atentar para outro tipo de
saber que tem como ponto de partida se desagregar radicalmente do mote
calculador determinante no empreendimento científico.
Sob os ombros de Hölderlin repousa o fardo de ter ficado para história como
aquele poeta originário que representou fielmente seu povo e também trouxe
consigo o relampejar dos deuses tão presentes outrora e hoje envoltos na névoa
embaçada de um período desprovido de fundamentos.

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