quarta-feira, 12 de novembro de 2014

relação de inter-esse como relação de ser.

No templo grego, o que a presença (Dastahend), a construção do edifício, produz, é o advento do deus instalado em sua verdade. É nessa instalação que a obra consiste a partir de sua origem. Só quando o mundo aparece numa forma tangível, que dá à obra seu caráter de obra, existe criação artística autêntica, como atividade individual mediadora. Desde a sua técnica nascente no trabalho artesanal, que elabora materiais diversos, tratados de certa maneira, a obra surge ao mesmo tempo que a verdade operante nela instaurada. Exercido sobre materiais não propriamente usados como meios nem consumidos para um fim, a arte produz e mantém, na obscura materialidade que também os liga à terra, as cores como cores, os sons como sons, a pedra como pedra e a palavra como palavra. Daí dizer Heidegger que a arte produz e mantém ''A PRÓPRIA TERRA NO ABERTO DE UM MUNDO''.  Interrompendo o envolvimento cotidiano, forçando-nos a ver o mundo através do que ela ''abre', a obra não é objeto de contemplação desinteressada. Há entre nós e a arte uma relação de inter-esse como relação de ser. 

A experiência estética é só um dos efeitos derivados da verdade da obra de que participamos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário