quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Poema do êxtase...

A. Scriabin : The Poem of Ecstasy - Le Poème de l'Extase op. 54 (Boulez)

https://www.youtube.com/watch?v=BWINpXNd5KE

O esplendor intuitivo se derrama no Poema do Êxtase, opus 54, do compositor russo Alexander Scriabin. Eleva-nos ao maior grau do conhecimento humano. Acima da fuga das galáxias, vemos o êxtase incessante, desde as noites dos tempos perdidos,início de uma grande explosão que abrange um ponto minúsculo, para sentir a comunhão de tudo nos planos da consciência. Scriabin tem o dom de transmutar as sensações passageiras numa contemplação paradisíaca. O Poema do Êxtase reúne o sonho e a poesia na música das esferas resplandecentes. Os planetas, as estrelas, as galáxias percorrem o mesmo ciclo de vida imantado em tudo para constituírem outros aglomerados siderais. Se há um parto animal, parto planetário e até mesmo de uma galáxia... Ó alma que não conhece todas as suas possibilidades! Os quasares – núcleos luminosos de galáxias distantes – possuem luminosidade superior a um bilhão de vezes a do Sol de nosso sistema planetário. Na Via–Láctea há mais de cem bilhões de sóis. Em bilhões e bilhões de galáxias, a afirmar que o Universo é luz, e a luz , inteligência.Luas e sóis, galáxias e nebulosas, poeiras luminosas que irradiam o mundo dos poetas, revelando os sonhos, tecido em túnica inconsútil. Luas cor-de-prata, alaranjadas, azuladas, cor do pôr-do-sol, vestidas de arco-íris, luas cor-de-mel, luas da luminosidade do olhar de cada mulher, em órbitas que o homem ainda não conhece. Restos de cavalo, restos de amazona, restos de avião restos de aeromoça, restos de perfume, restos de Natal, restos de pincel, restos de colagem, restos de gargalo, restos de garganta, restos de Brasília, restos de Cuiabá, restos de artesão, restos de cadeira, restos de oceano, restos de lagosta, restos de ascensor, restos de cidade, restos de jornal, restos de repórter, restos de nazismo, restos de opressão. Desdobrar de planos. As mãos veem, os olhos ouvem, o cérebro se move e a luz desce das origens através dos tempos e caminha desde já na frente dos meus sucessores. Os mundos nascem, crescem, envelhecem, contraem-se, explodem e renascem, numa incessante transformação. As hipóteses permanecem ainda em aberto porque tudo se passa em Egitos de corredores aéreos, em galerias sem lâmpadas, á espera de que Alguém desfira o violoncelo - Ou teu coração- azul das  novas muralhas de quasares. Numa visão além dessas muralhas, àqueles que se libertaram do ciclo da morte. Estamos falando da consciência, consciência dissociada da terceira dimensão que está indo embora, no dizer da tradição hindu. Maya. Nos reinos do amor, a sabedoria se expande em profusão, como a luz do sol que aquece e as vibrações ligadas umas as outras, na mais perceptível revelação da unidade. Nível de consciência mais profundo, dentro da unidade e não mais dentro da dualidade que gera a separação. O céu cai dos ecos de uma orquestra sinfônica neste final dos tempos, para ancorar a consciência unificada. É o retorno da luz pela seta de Sagitário (Nostradamus). A nebulosa de Sagitário ou a constelação de Sagitário é o centro da Via-Láctea, a galáxia que abriga o sistema solar, onde a Terra gira. A descoberta dos raios adamantinos, raios-gama dos cientistas e o alinhamento das Plêiades, uma ideia fortíssima entre todas, menos uma que ainda habita meu cérebro, noite e dia: o homem já tem a visão do início dentro de si. E na derrocada dos milênios, ele chegará lá. E se ele existe ou é um segundo mais tarde, acima de qualquer manifestação humana, todo feito de vontade cósmica, como cristais que irradiam vibrações que despertam beleza, a muralha de quasares ilumina os mundos paradisíacos. Com a força dos astros e estrelas que igualmente iluminaram o rosto  do compositor russo do Poema do Êxtase, Alexander Scriabin.

Um comentário:

  1. Scriabin interessava-se pelos trabalhos de Nietzsche e pela teosofia, claras influências no seu pensamento musical, revelando-se um especial admirador de filósofos como Delville e Hélène Blavatsky. Foi grande amigo do Conde Lisounenko, que o introduziu no mundo do misticismo. Algum tempo antes de morrer planejou um mega-projecto a que chamou “Misterium”, um trabalho multimédia a ser apresentado nos Himalaias que desencadearia o Armagedão, uma «grandiosa síntese religiosa de todas as artes que faria nascer um novo mundo».

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