Santa Catarina de Siena teve uma visão de Cristo na forma de ponte e Rumi atribui a Cristo as seguintes palavras: "Para os verdadeiros crentes eu me transformo numa ponte que atravessa o mar".
Num livro notável intitulado Consider the lilies, how they grow (Vede como crescem os lírios, Mateus 6,28), publicado pela Sociedade de Folclore Alemão da Pennsylvania em 1937, vemos que durante muito tempo Stoudt, cuja interpretação da arte alemã da Pennsylvania se baseia totalmente nas "manifestações históricas da religião mística" (com ênfase especial a Jacob Boehme, Dante, São Bernardo e a Bíblia), ficou intrigado com o motivo decorativo em forma de diamante (losango), até que encontrou nos trabalhos de Alexander Mach uma passagem em que "Cristo era denominado Eckstein", de forma coerente com os textos bíblicos. Percebeu então que em alemão a palavra que indica diamante é a mesma que indica pedra fundamental ou pedra angular . Aparece em tampas de fogão e com relação a isto Stoudt menciona com muita propriedade a instrução dada por Clemente de Alexandria aos cristãos primitivos, no sentido de colocarem os símbolos de Cristo nos utensílios domésticos.
Até aqui está tudo muito bem. Mas podemos ir mais adiante e indagar em que sentido Cristo é mencionado como diamante e Pedra Fundamental ou, mais literalmente, pedra angular. No Salmo 118,22; Mateus 21,42; Lucas 22,17 temos: "A mesma pedra que os construtores rejeitaram transformou-se em pedra angular" (kephalen gonias, caput anguli); em Efésios 2,20 temos "... com o próprio Cristo por pedra angular" (ontos akrogoniaiou autou krisou Iesou ou ipso summo angulari lapide Christo Jesu); o texto continua e diz: "n'Ele qualquer construção bem ajustada (synarmodogomene), constructa = sam-skrta em sânscrito) cresce para formar um templo santo (eis naon agion) no Senhor, em união com o Qual também vós estais integrados na construção (coedificamini) para vos tornardes, no Espírito, a morada de Deus" (en Pneumati = atmani em sânscrito). A intenção evidente deste trecho é pintar Cristo como o princípio sem igual do qual depende todo o edifício da Igreja. O princípio de qualquer coisa não está nem entre outras partes dela nem na totalidade das partes, está onde todas as partes estão reduzidas a uma unidade, sem composição. Esta figura tem paralelo na figura da participação do Corpo Místico de Cristo. Mas uma "pedra angular" no sentido aceito de pedra situada no canto de uma edificação, por mais importante que seja, e até se tivermos a intenção de levar em conta uma pedra angular especial, é apenas uma de quatro apoios iguais; não podemos falar logicamente de uma determinada pedra angular, e qualquer pedra angular mais reflete do que realmente é o princípio dominante de uma edificação. Começamos a suspeitar que o significado de pedra angular talvez tenha sido mal-entendido e o conceito de que "todos os homens estão unidos numa construção", não pode ser interpretado como pedra angular no sentido de uma pedra situada no canto ou na quina da edificação.
Pode-se notar que o "Grande Arquiteto do Universo" está identificado a Cristo (portanto ao Logos), por sua vez relacionado ao simbolismo da "pedra angular", entendida de acordo com o que já explicamos (cap. 43); o "pináculo do Templo" (e podemos notar a curiosa semelhança da palavra "pináculo" com o hebraico pinnah, que significa "ângulo") é naturalmente o topo ou o ponto mais elevado, e, como tal, equivale à "chave de abóbada" .
Cristo também, como o Jano antigo, leva o cetro real a que tem direito em nome de seu Pai do Céu e de seus ancestrais neste mundo; e sua outra mão segura a chave dos segredos eternos, a chave tingida pelo seu sangue, que abriu, para a humanidade perdida, a porta da vida. É por isso que, na quarta das grandes antífonas anteriores ao Natal, a liturgia sagrada o aclama assim: 'O Clavis David, et Sceptrum domus Israeli... Vós sóis, ó Cristo esperado, a Chave de Davi e o Cetro da casa de Israel. Vós abris, e ninguém pode fechar; e quando vós fechais ninguém mais saberia abrir...' "
Por essas poucas considerações já é fácil compreender que Jano representa verdadeiramente Aquele que é, não só o "Senhor do tríplice tempo" (designação que é de igual modo aplicada a Shiva na doutrina hindu), mas também, e antes de tudo, o "Senhor da Eternidade". Cristo, escrevia ainda a esse respeito o sr. Charbonneau-Lassay, domina o passado e o futuro; coeterno com seu Pai, é como ele o "Ancestral dos Dias": "No princípio era o verbo", diz São João. Ele é também o pai e o senhor dos séculos vindouros: Jesu pater futuri saeculi, repete diariamente a Igreja Romana, e Ele próprio se proclama o começo e o final de tudo: "Eu sou o alfa e o ômega, o princípio e o fim". "É o 'Senhor da Eternidade'.’’(de certa forma a Luz é o respaldo da memória do universo já que nela o passado, o presente e o futuro estão ocorrendo num único instante eterno e portanto são acessíveis através dela)
De acordo com o simbolismo empregado pela Cabala hebraica, à direita e à esquerda correspondem respectivamente dois atributos divinos: a Misericórdia (Hesed) e a Justiça (Din), que também cabem de forma clara a Cristo, em especial quando o consideramos em seu papel de Juiz dos vivos e dos mortos.
Quando o peixe é tomado como símbolo de Cristo, seu nome grego, Ichthus, é considerado como formado pelas iniciais das palavras Iêsous Christos Theou Uios Sóter (Jesus Cristo, de Deus Filho, Salvador).
Como Vishnu na Índia, e também sob a forma de peixe, o Oannes caldeu, que alguns consideraram de modo categórico como uma representação de Cristo, ensina igualmente aos homens a doutrina primordial; trata-se de um exemplo admirável da unidade que existe entre tradições muito diferentes na aparência, e que permaneceria inexplicável se não admitíssemos suas ligações com uma fonte comum.
A isso se liga a designação de Cristo como "germe" em diversos textos da Escritura, que retomaremos talvez numa outra ocasião...
É muito significativo, sob esse ponto de vista, que os hermetistas cristãos falem de Cristo como sendo a verdadeira "pedra filosofal", com a mesma frequência que se referem a ele como "pedra angular".
Observe-se a relação existente entre a unção da pedra por Jacó, bem como a dos reis para a sua sagração, e o caráter de Cristo ou do Messias, que é o "Ungido" por excelência (Khristós, no grego, e Mashiah, no hebraico, significam "ungido")
H. P. Blavatsky era enfática quanto à biografia de Jesus fazer alusão a um mito solar, inclusive depreendido do culto a Mithra.
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